sábado, 13 de dezembro de 2014

Santa Luzia e a Luz Sagrada





Desde que me entendo por gente, sei que a data de hoje é muito importante para a minha mãe, pois ela "tira" a novena de Santa Luzia, uma prática religiosa herdada já de minha avó. Sempre foi um dia festivo ( e aindo o é) para todos: toda a família se encontrava, minha avó ( quando em vida), tias, tios, primos e primas vinham para a nossa casa para rezar o terço,  cantar hinos em honra a Santa Luzia, e após a novena degustar  bolos com Nescau e demais iguarias.

No entanto,  somente após deixar o Brasil  e passar a morar no norte da Europa que fiquei ciente da verdadeira origem da festividade desta data e do seu valor simbólico.  
Vejamos bem, em nenhum momento estou me desfazendo  ou desrespeitando a imagem  e a veneração que tantas pessoas tem por Santa Luzia, que na verdade se chamava Lúcia (± 283 - † 304),  e segundo a Igreja Católica, era uma jovem virgem de Siracusa nascida numa família rica que por se recusar a abandonar a fé cristã, morreu durante as perseguições do imperador Diocleciano. 

Santa Luzia é considerada a Santa da Visão, a padroeira dos oftalmologistas e aqueles que têm problemas  de visão recorrem a ela, pois se conta que um soldado, a mando do imperador,  arrancou-lhe os olhos de sua face e entregou a Luzia em um prato. No entanto, ao entregar o prato, no mesmo instante  nasceram dois lindos olhos, sãos e perfeitos, mais lindos que os foram arrancados. 
Para outros isso se deve  ao próprio nome de Lúcia
derivado do termo "luz" ( lux em latin) , elemento indissociável não só ao sentido da vista, mas também à faculdade espiritual de captar a realidade sobrenatural.
Por este motivo Dante Alighieri, na Divina Comédia, atribui a Santa Lúcia ou Luzia a função de graça iluminadora.


Convém lembrar que na antiguidade cristã, que junto com Santa Cecília, Santa Águeda e Santa Inês, a veneração a Santa Luzia era as das mais populares chegando a ter vinte templos em Roma dedicados ao seu culto! Daí podemos imaginar a estrutura energética, ou aquilo que também podemos dá o nome de Egrégora criada a partir dessa Fé, provocando tantos milagres de Cura! Até mesmo a lenda conta que ainda em vida, Lucia  foi capaz de curar sua própria mãe que há anos sofria de uma hemorragia, fato este que fortificou ainda mais sua Fé no Cristo!

  

Mas em verdade, esta data tem origem nos cultos pagãos das regiões nórdicas da Europa. É na Suécia que se conservou sua identidade mais fiel às tradições pré-cristãs, principalmente na região de Västergötland. Daqui, no século xx, se espalhou para a Escandinávia, algumas regiões da Alemanha, Itália e Alsácia.

O simbolismo da luz sagrada se encontra não somente no próprio nome de Lúcia ( lux em latin, mas também em um elemento capital desta festa: a moça vestida de branco tendo uma coroa decorada de velas, demonstrando que o ponto principal de toda essa simbologia é a Luz! Frente as forças obscuras das longas noites de invernos, resta a esperança de seu retorno após o Solstício de Inverno. Portanto, ela faz parte da tradição do Yule nórdico. 


O simbolismo da coroa de Santa Lúcia se sobrepõe a aquele da coroa do Advento: ao acender as velas, somamos nossas forças e energias  à luta das Forças Solares, aos deuses  Ases ajudando a luz a não perecer, e assim nos tornamos co- atores em um drama cósmico cíclico, um Ragnarök anual.
Na madrugada de 13 de dezembro, levando na cabeça uma coroa de velas, uma jovem vestida de branco percorre todos os cômodos da casa, acordando todo mundo, e oferecendo a cada um um xícara de café com bolinhos em forma de sol.
A cor branca de suas vestes simboliza a pureza da luz; a madrugada simboliza a promessa do renascimento da luz, após os Solstício de Inverno.

Em várias regiões da Europa de tradição nórdicas, a festa de hoje  marca o início das celebrações de Natal, terminando em 13 de janeiro, fechando  o ciclo  com  a queima da Árvore  de Natal em uma grande fogueira, um ritual de Fogo que rende homenagem à passagem de um ciclo solar a outro! Em certas regiões ligadas à figura de São Nicolau ( como aqui na Holanda, o Sintklaas), o período de Natal começa no dia 5-6 de dezembro e termina no dia 6 de janeiro.
Retornando à Santa Luzia,  portanto, é mais do que evidente que  sua festa sendo celebrada no dia 13 dezembro, doze dias antes do Natal,  vai de encontro à prática da Igreja Católica nos primeiros tempos que  não conseguindo suprimir as antigas tradições pagãs, adaptou-as ao calendário santoral católico. 

Todavia, hoje é um dia de Luz, além de ser uma data propícia para rituais de banimento, saúde e proteção, com muitas velas, é claro!

Haja Paz e Luz! 






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