sexta-feira, 16 de março de 2012

O Jardim das Bruxas



Se o conhecimento de eruditos e grandes magos como Roger Bacon, Paracelso, Nostradamus e Nicolas Flamel era baseado sobre longos estudos e um bom conhecimento de línguas como o grego, o latin e o hebraico, o conhecimento das bruxas, moradoras dos lugarejos mais longíquos e campestres, geralmente mulheres iletradas, se apoiava sobre uma observação suscinta das leis da Natureza e do coração humano.
Contrariamente ao preconceito negativo que muitas ainda nos dias de hoje sofrem - "uma bruxa é uma fada má", essas mulheres além de curadoras, eram intérpretes de sonhos, parteiras e psicólogas do povo. Numa época em que a nascente classe médica  era acessível somente à nobreza e endinheirados, com suas plantas e magia natural, estas bruxas eram a única solução para aliviar os dissabores da vida dessa gente pobre.
Se por um lado ela sabiam  que a Erva-cidreira era aconselhável para os estômagos fragéis; que a Vinca é boa para manter a pele saudável; que a Betônica auxilia no tratamento contra a insônia e pesadelos; e que a Alfazema  e o  Tomilho são excelentes antisépticos e ajudam também a acalmar a tosse, por outro, tinham a plena consciência de que a eficácia destes remédios estava condicionada ao emprego de rituais e fórmulas consagradas que liberavam seu potencial mágico. Era assim que as dores de dentes eram amenizadas com o emprego da Potentilla  se pronunciando uma prece consagrada começando por "São Pedro estava sentado sobre um bloco de mármore" e terminava com "aquele que pronunciar estas palavras me invocando não terá jamais dor de dente".

Como possuiam o conhecimento destes dois aspectos das ervas - medicinal e mágico - estas mulheres sabiam perfeitamente que a cura não vinha unicamente da planta, mas acima de tudo, do espírito da planta. Para as bruxas européias estes espíritos eram simplesmente os gnomos que fortaleciam suas raízes, os elfos que faziam crescer seus ramos, as fadas responsáveis pelo o desabrochar das flores, enfim, os espíritos Elementais, os aliados naturais  das boas bruxas  do campo que curavam as feridas do corpo e da Alma.

Atualmente não nos damos conta, mas o termo farmácia tem sua origem no antigo termo grego pharmakeia cujo o significado não se refere apenas à composição de  drogas medicinais, mas também à fabricação de porções mágicas e de filtros.
A deusa grega patrona da bruxaria era Hécate, tríplice deusa da Lua. Numerosas são as alusões feitas a ela, assim como à Medéia e à Circe, as célebres bruxas da mitologia grega.

 

O jardim da bruxa era geralmente bem guarnecido de ervas, plantas, flores e raízes, cujos os poderes poderiam ser tanto curativos  como igualmente mortíferos. Por exemplo, as bagas vermelhas  do Texo  e o cacho das flores azuis em forma de capuz que crescem sobre o Acônito são altamente tóxicos!  A Beladona, o Meimendro negro e o Estramónio faziam parte da composição de beberagens que podiam provocar  visiões aterrorizantes, mas quando empregadas com preucação, podiam oferecer suas virtudes positivas. Assim, o sumo das bagas  da Beladona servia de sombra, dando às mulheres um olhar  radiante e irresistível. 
 O Conium ( do qual o veneno cicuta é obtido) é por si só um veneno mortal,  mas em fracas doses pode deixar um homem impotente.


Sobretudo, são as mulheres que transmitem este saber sobre as plantas nas zonas rurais. Era um domínio que lhes era reservado e o conhecimento dos remédios era umas das raras liberdades que elas podiam usufruir. Não podemos esquecer que mais do que bruxas, estas mulheres  eram conhecidas como "mulheres de virtude".  Mas seus remédios e esta liberdade serão denunciadas pela a Igreja, principal detentora do saber.               As mulheres possuidoras dos segredos das plantas serão portanto consideradas como bruxas e perseguidas em seguida, do século XII ao XVII. Para a Igreja, a bruxa era aquela que tinha  parte com as forças da Natureza, forças malfazejas; o diabo era muitas vezes denominado  o senhor que faz germinar as plantas.

Independente de qualquer coisa, e mesmo se empirismo propaga certos erros, a medicina moderna foi obrigada a descer do seu pedestal e confirmar o valor de um bom número dos remédios das mulheres virtuosas. Apesar do menosprezo que os médicos eruditos sentem por eles, estas curadoras conseguiam tratar e curar muito antes que eles chegassem às áreas rurais mais distantes. Raros são aqueles que reconheceram o trabalho e o êxito destas bruxas.

Nos nossos dias atuais, as condições sociais melhoraram consideravelmente para as mulheres, e nossa relação com as Ervas se transmite como de sempre. As novas herdeiras podem comparar o seu saber com obras sobre ervas,  científicas ou não, e modificar suas práticas para uma espécie de empirismo mais esclarecido, limitando assim uma maior margem de erros.

E jardim das Bruxas continuará a existir...





Bençãos )O(




                                             










Nenhum comentário:

Postar um comentário