quarta-feira, 23 de março de 2011

As mais usadas pelas nossas amigas Bruxas ...


O folclore, no que diz respeito às plantas, ervas e árvores, se constitui num vasto assunto que em si já é necessário um livro para explorá-lo como bem ele merece. O antigo termo utilizado para o conhecimento das propriedades secretas das ervas é "Wort Cunning" e sempre foi um assunto de estudo particular para as Bruxas.
O conhecimento das Ervas dividi-se em dois aspectos: 1) trata-se das propriedades medicinais destas; 2) diz respeito às suas propriedades ocultas e mágicas. E ambos são utilizados pelas Bruxas na sua Arte.


Podemos perceber que o termo "'phamárcia" tem sua origem no grego antigo e que não significa somente "composição de drogas medicinais", mas também "fabricação de porções mágicas e filtros". A deusa grega patrona da Bruxaria era Hécate, a deusa tríplice da Lua e sobre a qual são feitas várias alusões, assim como a Medéia e a Circe, célebres bruxas da mitologia grega. O Segundo Idílio de Teócrito, intitulada Pharmaceutria não trata somente de tratamentos simples mas segundo Montague Summers, é um retrato vivo e realista da bruxaria grega (The Geography of Witchcraft, Kegan Paul, Londres, 1927).


A Bruxa e seu caldeirão fervendo é uma imagem que remonta aos tempos pré-cristãos, e seu conteúdo poderia ser tanto benéfico quanto maléfico. O estudo das ervas também era realizado no Antigo Egito, assim antes de Hécate, era Ísis a Senhora Egípcia da Lua e da Magia. O célebre papiros Ebers que foi encontrado junto a uma múmia na Necrópole de Tébas contêm um grande número de receitas à base de plantas; as ervas medicinais prescritas nele inclue algumas espécies que sempre são utilizadas pelos herboristas e bruxas dos nossos dias. Entre as quais podemos citar a cebola, a romã, a papaver,a gentiana, o sabugueiro, a mentha, a babosa, a mirra e o açafrão-do-prado*.


Das 400 ervas medicinais utilizadas pelo grande "médico" grego Hipócrates, pelo menos a metade ainda é utilizada nos dias de hoje. Mas o conhecimento das bruxas e magos provém dos estudos do médico grego Dioscórides, que fez uma compilação de todas as primeiras ervas existentes, se tornando a principal fonte sobre ervas medicinais por mais de 1600 anos.


Em centros culturais como o de Toledo, na Espanha, aonde a cultura européia e islâmica se misturavam, tanto a medicina quanto a magia, a alquimia e a astrologia eram objetos de estudo, logo o conhecimento de drogas orientais, como hachiche, foi anexado aos estudos já existentes transmitidos pelos antigos escritores clássicos. Tal conhecimento se expande rapidamente e chega até aquela bruxa dos vilarejos mais longíquos, se misturando com outras tradições, sejam elas nórdicas, célticas ou pré-célticas.


Nos tempos antigos, esta bruxa do vilarejo era aquela que tinha o conhecimento das ervas, aquela "lançava um mal-olhado", aquela que interpretava os sonhos, a parteira e a psicóloga, tudo isso ao mesmo tempo. Ou seja, nas paragens longíquas e esquecidas pelo poder local, ela era a única fonte de conhecimento para a população mais pobre. E nestes tempos aonde o conhecimento cirúrgico ainda engatinhava e o sangramento estava na ordem do dia entre os homens da medicina ortodoxa, a bruxa da vila com suas beberagens de plantas medicinais e sua psicologia prática matava bem menos que certos "doutores".


Nem todas as bruxas viviam no anonimato. Exemplo disto é uma célebre dama conhecida pelo nome de Trotula, de Salerno na Itália, que se tornou conhecida em toda a Europa por seus remédios e receitas. Seu nome é a origem da expressão "A Velha Senhora Trot" (Old Trot) dado às bruxas.


O momento no qual as ervas mágicas e medicinais eram colhidas era regido pela astrologia e particularmente pelas fases da Lua. O período da Lua Crescente era aquele propício para a magia construtiva enquanto que na Lua Minguante era próprio para a magia destrutiva e de banimento. Mas se colhidas na Lua Cheia, esperava-se fazer uso de suas virtudes mágicas e medicinais ao ponto mais alto. Por outro lado, ervas usadas para os objetivos mais sombrios, eram colhidas durante o período da Lua Negra. Que o digam as bruxas de Shakespeare, em Macbeth, usando " raízes de cicuta colhidas no negro".
As ervas que particularmente tem um efeito narcótico ou soporífico são associadas à Bruxaria devido o seu emprego na composição do bálsamo das bruxas. Além disso, são inúmeras as ervas cujos seus nomes populares estão intimamente relacionados às bruxas. Por exemplo, o famoso Verbascum thapsus** com suas flores amarelas, era chamada em inglês "Hag-taper". Ora, o velho termo inglês haegtesse quer dizer bruxa, logo Hag-taper signific,a 'a vela da bruxa'. Assim como também a Vinca é conhecida como a "violeta das bruxas". Esta linda flor azul é considerada por Albert Magnus, autor reputado do livro de magia e bruxaria « Le Grand Albert », como a mais poderosa flor para provocar o "Amor"; outra magnífica flor com reputação semelhante é a Orquídea Selvagem, chamada também de Sátiro pois sua raízes se assemelham a um par de testículos e daí portanto sua reputação mágica.



No âmbito da magia protetora, temos o Hypericum que recebe também o peculiar nome "Fuga daemonum" porque ele é capaz de banir os maus espíritos.


Enfim, uma lista das propriedades mágicas atribuídas às flores, árvores e raízes merece um livro à parte porque é um assunto vasto e porque não dizer, infinito! Uma importante ramificação do conhecimento das ervas foi a sufumigação, ou seja, a fabricação de incensos mágicos que atraíam e causavam a aparição de espíritos.


Da crença que elas têm na magia dos números, as bruxas gostam de usar três, sete ou nove ervas na composição de encantamentos e sortilégios. Estes números depois de tempos imemoriais, possuem poderosas propriedades ocultas.


A Artemísia era comumente chamada pelos antigos herboristas de "Mater Herbarum", a Mãe das Ervas, devido suas qualidades proeminentes. Associada à deusa Diana, em velhos herbários esta aparece segurando um feixe desta planta. A parte interna de suas folhas é prateada, logo a consideram regida pela Lua, se bem que Culpeper a atribue à Vênus. Uma infusão à base de Artemísia ajuda no desenvolvimento da clarividência, e melhor ainda se suas folhas forem colhidas em plena Lua Cheia!


Paz e Luz!






* Pertence ao gênero Colchicum cujo o termo é derivado de Cólquida, cidade região ao sul do Cáucaso aonde morava Medéia.
** É uma espécie de verbasco indígena da Europa, Norte de África e Ásia, e introduzida nas Américas e Oceania. Tem propriedades medicinais e tóxicas, sendo usada em alguns locais para matar os peixes dos rios. 

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