segunda-feira, 28 de março de 2011

Um breve histórico da Aromaterapia... Fascinante!

 Desde os tempos mais antigos, as plantas são usadas tanto para curar como para venerar os deuses.  Assim, a história da Aromaterapia é um capítulo exótico dessa relação entre Homem e Natureza.

Já em 40 000 a. C, os aborígenes australianos faziam uso de plantas aromáticas para tratar infecções através de fumigações ou cataplasmas pelas com água e a argila e as plantas mostravam sua eficácia sinérgica.

Na China, Índia e em regiões vizinhas,  as virtudes  terapêuticas das essências aromáticas são conhecidas há muito tempo, uma prova disto foi a descoberta de um alambique em terracota no Paquistão que parece datar de 5 000 anos antes de nossa era.

Contudo, segundo algumas correntes históricas, é em torno da bacia mediterrânea que a ciência medicinal vai se estabelecer através de grandes civilizações como o Egito, a Babilônia, depois Grécia  e Roma. São os textos egípcios que deixa descrições mais detalhadas de plantas que eram utilizadas em todos os domínios da vida: para fabricar perfumes, cosméticos, assim com também para o embaussamento dos mortos, revelando o grande conheceimento que aqueles possuiam quanto às virtudes antibacterianas e anti-putrefação de certos óleos essenciais.

Imhotep, arquiteto e médico (2700 a. C) do faráo Djoser, detinha um grande conhecimento sobre o emprego de ervas aromáticas, entre as quais o cédro do Líbano, o labdanum, o nardo, o incenso, o cominho, a mirra, o anis, a canela ...
Na tumba de Tutankhamon foram encontradas jarras contendo resinas, incensos que continuavam a exalar seu perfume após permancer enterradas por mais de 3 200 anos!
Na Grécia,  depois de 1200 a. C.,  o comércio fenício traz do Oriente a pimente, a canela, o incenso..
No século V a. C., Hipócrates, pai da medicina científica, reune todo o conhecimente médico da época. Teofrátes (378 - 285 a. C.) efetua uma classificação de plantes em sua obra Histora plantarum, que não será complementada que antes do Renascimento. Alguns séculos mais tarde, Dioscórides, desenvolvendo o trabalho de Hipócrates, não catáloga que menos de 529 espécies de plantas. À esta época, os banhos aromáticos, as loções, os unguentos, os cremes perfumados eram muito usados em Roma. Em seguida, o trabalho de Dioscórides foi traduzido em árabe e persa, servindo de base aos herbalistas árabes. No apogeu do império árabe, cujas as fronteiras iam da Índia até a Espanha, todos os documentos relacionados às ciências e a medicina foram reunidos em Bagdá, onde se encontrava  a maior biblioteca da época. Tal obra será traduzida na Europa no século XV com o título De materia medica.

Na história da Aromaterapia, há que se destacar que os paíse árabes são os responsável pelo progresso da aromaterapia. 1000 anos a. C. os persas já haviam inventado a distilação, mas é necessário esperar 2000 anos para que tal processo seja aperfeiçoado. É Avicena, médico e filósofo persa (980 - 1037) que produz o primeiro óleo essencial puro, um óleo essencial de rosas. A distilação por vapor d'água permitia a extração de óleos essenciais puros de muitas plantas. Avicena escreveu inúmeras obras médicas nas quais deu um grande destaque aos óleos essenciais.
Não podemos esquecer que na América pré-colombiana, civilizações como asteca, maia e inca possuiam o pleno conhecimento sobre o uso das drogas vegetais aromáticas, quando confeccionavam  pomadas à base de estoraque, copaíba, sassafras para o tratamento de infecções e feridas.
Mas voltando para a velha Europa, foram as Cruzadas que de uma maneira facilitaram as trocas comerciais de aromas e de conhecimento à respeito da técnica de distilação. No século XV, os boticários se chamam aromatherii, para destacar a importância das plantas aromáticas nas preparações farmacêuticas da época. No ocidente se continua durante um bom tempo a se fazer uso de óleos aromáticos macerados. 
Mas com as Cruzadas, os óleos essenciais, ou "perfumes da Árabia" como eram chamados, ganham progressivamente todas a Europa.  Dizem alguns que a Aromaterapia nasceu nos séculos IX na Espanha, especialmente na região hispano-árabe , aonde conviviam árabes e judeus cristãos. Sábios e estudiosos de toda a Europa, através do Caminho de Compostela, ganhavam a Espanha a fim de aprender com os velhos alquimistas os segredos desta Arte cuja as origens remontam ao Egito helenístico dos ptolomeus! 
Como as gomas e resinas da Ásia não estavam todo o tempo disponível no mercado, os europeus tão logo se dirigem para as plantas mediterrâneas, como  o alecrim e a lavanda para fabricar os óleos essenciais.Na Idade Média, registros históricos mostram que os óleos essenciais foram usados durante a peste que assolou a Europa no século  XIV, e entre os séculos XVI e XVII, eles eram populares entre os grandes herbalistas europeus, mas  a partir dos XVIII e XIX, quando cientistas foram capazes e identificar, extrair, e  recriar os compostos ativos das plantas, o que leva ao desenvolvimento de medicamentos farmacêuticos e à negação da medicina vegetal.
De repente, a aromaterapia cai no esquecimento, e é necessário esperar pelo século XX para que ela reapareça com toda a força.
É bom lembrar que este termo, aromaterapia, foi utilizado pela primeira vez pelo químico René Maurice Gattefossé em 1935.
Em 1910,  René Maurice redescobriu as virtudes e propriedades dos óleos essenciais, ao aplicar sobre queimaduras em suas mãos, após um acidente em seu laboratório, o óleo essencial de Alfazema. Segundo a lenda, os resultados foram surpreendentes, confirmando sua intuição: a  Alfazema possui verdadeiras propriedades antisépticas e cicatrizantes, e  a partir daí  decide dedicar uma parte de seu tempo a pesquisar sobre as propriedades terapêuticas dos óleos essenciais. Praticamente, é ele quem cunha o termo "Aromaterapia", se tornando a partir de então um termo corrente.
Mais tarde, em 1960, o Dr. Jean Valnet, cirurgião do exército francês,  retoma os trabalhos e pesquisas de Gattefossé, depois que utilizou com êxito os óleos esenciais para tratar  os soldados feridos em combate e nos pacientes de um hospital psiquiátrico. Publica ele o livro de referência: Aromathérapie, em 1964.
René Maurice Gattefossé e Jean Valnet são considerados os pais da Aromaterapia Moderna.







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